Olá galera! Essa é a minha primeira postagem do meu blog, uma resenha que fiz para a minha aula de português mas espero que gostem.
Ana Maria Machado nascida no Rio de Janeiro em 1941, é uma professora, pintora, jornalista, tradutora e escritora brasileira. É uma autora com uma produção literária variada, que envolve crianças, jovens e adultos. Entre alguns de seus livros encontram-se, "Bem do seu tamanho", "Bisa Bia, Bisa Bel", "Alice e Ulisses" - seu primeiro romance, "O mar nunca transborda", "História meio ao contrário".
"Para Sempre", um livro narrado em terceira pessoa pelos próprios protagonistas, conta a história de Nelson e Suzana, mas também a da filha do casal Antônia com Daniel. Aonde a narração de cada um delas não é sequencial como se está acostumado em outros livros, os acontecimentos são contados a partir de histórias paralelas.
"Muitas coisas ditas eternas se iniciam de alguma forma, torno a repetir (...) tanto o amor como a fama." Neste livro conhecemos a história de Nelson e Suzana, com uma relação que tinha tudo para ser considerada duradoura mas os anos de convivência acabam por enfraquecer a relação. Quando ele se envolve com outra mulher é a gota d'água e que põe fim a um casamento que parecia tão sólido, seguro. Entretanto na outra história paralela do livro, Antônia, filha do casal, vive um romance intenso com Daniel, que parece por ser eterno, mas ela também precisará saber lidar com os obstáculos que surgem no caminho.
Nesse entrelace de formas de narrativa, aonde encontram-se intercaladas menções à literatura e a mitologia, Ana Maria Machado cria um cenário cativante sobre o tema enquanto busca discutir sobre o mito do amor eterno nos dias de hoje. Mas é com um livro que conta histórias reais de amor, ou seja, histórias contadas sem enfeites e fatos impossíveis, que Machado aborda com tanta maestria o tema, estimulando o leitor a pensar nessa discussão sutilmente a partir de frases como "Ou seja, rostos bonitos e vazios."
Um livro de capítulos curtos, fluido e que enleva o leitor. É o tipo de leitura que delicia o leitor e facilmente o faria ler por uma tarde inteira até se deparar com final do livro. Esse fato poderia fugir um pouco a proposta de levar o leitor a reflexão sobre esse mito do amor eterno por ser uma leitura tão rápida, entretanto é somente a partir dessa leitura suave que a autora consegue fazer com que os receptores do seu livro possam sentir a sua proposta já em uma situação aplicada e que mesmo que por poucos instantes os faça pensar naquilo, aquele pequena frase que ao menos os chamou atenção. Ao mesma tempo em que leva o leitor a pensar sobre outros temas, e a incentiva-lo a outras coisas. "(...) era a primeira vez que lhe davam um tempo adequado em um veículo multiplicador, e queria convencer mais gente de que existe uma afinidade natural entre os jovens e a boa literatura - só falta é a oportunidade para que eles descubram isso."
Se me perguntassem, é um livro que sim, eu recomendaria sim ler, pois além de seu tema ser agradável e muito bem abordado, é uma escrita suave a qual você se sente passar pelas linhas. Além de tudo que o livro traz, suas menções a literatura incitam o leitor a buscar aquela obra, a conhecer um pouco mais do outro autor citado. "Pode ser que, nessa balada do Drummond, se insinue a ideia de que os únicos amores eternos tenham sido justamente os outros - o desgaste do seu amor. Talvez tenha sido exatamente por isso e só por isso que o sentimento não se acabou, durou até que a morte os separasse."
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